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01/maio/2017

Você que tem filhos ou parentes que tem dificuldades em deixar o vício das drogas, esse artigo pode ajudar que você entenda qual tipo de dependência química ele tem e com isso, ajuda-lo melhor. Hoje em dia a Dependência Química é mais considerada um tipo de transtorno mental, em que o indivíduo que tem esse distúrbio deixa de ter o controle do uso da droga, e toda a sua vida, emocional, psíquica, espiritual e física vai se acabando aos poucos. Nessa hora, a maioria das pessoas necessitam de um tratamento e de auxilio adequado e competente.

A dependência química não é como muitos acham “falta de vergonha na cara” ou algum problema moral, ela é como a Diabetes, a pessoa não escolhe ter aquela doença, mas pode sim optar seguir com um tratamento, e da mesma maneira que os diabéticos controlam seu açúcar no sangue com cuidados, medicações e com uma alimentação melhor, o dependente pode procurar por um auxílio para controlar sua vontade e saber qual é o ciclo da doença. Ela considerada como uma doença Biopsicossocial.

As histórias sobre o uso de químicas pela humanidade, retorna aos tempos mais antigos, ainda que o principal objetivo do seu uso fosse para aliviar uma dor ou para fazer parte da realização de rituais de uma determinada religião e cultura.

O uso de substâncias químicas para mudar o estado psíquico já é conhecida há bem mais de 4 mil anos, especialmente pelos egípcios, que naquela época já era feito o uso de maconha e opiláceos. A grande maioria dos medicamentos usados na Antiguidade eram vindos de plantas. Com isso, a palavra “droga” vem de droog, que em holandês quer dizer folha seca. Então vamos aos tipos de conceitos dessa doença:

Doença Química

É gerada por uma reação química em todo metabolismo do corpo do usuário. O tabaco e o álcool, por exemplo, embora a grande maioria das pessoas separe elas das drogas que são ilegais, elas são drogas tão ou bem mais fortes em levar a dependência em pessoas tendentes, como qualquer droga que seja, legal ou ilegal.

É Interna e Não Externa

Os problemas externos como problemas sociais, sexuais, familiares e profissionais não levam a dependência química. São fatores internos em cada organismo, que trabalham indireta ou diretamente e contribuem muito para a instalação dessa doença, gerando uma certa predisposição emocional e física para a dependência. O uso direto e sem nenhum tratamento para o vício pode ir se tornando cada vez mais perigoso e intenso para o dependente.

Doença Crônica Sem Cura

Uma vez que se torna um dependente químico, sempre será dependente, isso independentemente de estar ou não na recuperação, fazendo o uso ou não usando nenhum tipo de droga. Não há cura para qualquer tipo de dependência química, mais há sim tratamento com sucesso, que seja contínuo e permanente.

Doença Controlável

Mesmo não podendo usar o álcool e nem outras drogas de modo “social” ou “recreativo”, o dependente, se aderir e verdadeiramente se empenhar no tratamento, vai poder viver com muita qualidade de vida sem a droga e sem consequências negativas com o uso frequente.

Doença Que Abala Toda a Família

O convívio com o usuário químico faz com que toda a sua família também fique mal emocionalmente, se tornando imprescindível o tratamento de todos da família. E com isso receber as orientações a respeito de como lidar corretamente com o dependente e de como controlar seus sentimentos em relação a ele.

Também é Uma Doença Física

Se torna aparente pelo surgimento de modificações físicas profundas, mudando o metabolismo orgânico quando se deixa de fazer o uso da droga. Essas mudanças físicas obrigam o dependente a continuar usando a droga, do contrário acontece uma “síndrome de abstinência ou crise”. Essas mudanças presentes na “Síndrome de Abstinência” se tornam aparentes por sintomas e sinais de natureza física e mudam conforme a droga é usada.

Doença Psicológica

É a boa sensação de satisfação gerada pela droga que faz com que o dependente a use continuamente para continuar satisfeito e evitar que fique com mal estar de abstinência. A falta do uso da droga deixa o usuário muito abatido, e em um péssimo estado psicológico. Quando sem acesso a substancia, os dependentes passam por modificações de comportamento, humor, mal-estar. Os que formam uma dependência psíquica geram um hábito.

Com base em estudos recentes realizados recentemente pelo “Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais”, revelou vários tipos e que a dependência em substância e que se mostram com os seguintes sintomas:

  1. Tolerância: Necessidade que só aumenta precisando de maiores quantidades da droga pra chegar ao efeito desejado; Significativa redução do efeito depois de um uso continuo da mesma quantidade da droga.
  2. Abstinência:Ocorrem vários sintomas como irritabilidade, ansiedade, insônia e problemas fisiológicos como tremores desconfortáveis depois da interrupção do uso da droga ou com a diminuição da quantidade usada; Faz o consumo da mesma droga ou uma outra parecida a fim de amenizar ou mesmo evitar os sintomas que vem com a abstinência.
  3. Uso Excessivo:Faz o consumo da droga em quantidades mais elevadas ou por um período bem maior do que o tempo de uso inicial.
  4. Desejo de Parar: O usuário expressa a vontade de diminuir ou controlar o uso e a quantidade da droga ou faz tentativas para conseguir isso, contudo, na maioria das vezes sem sucesso.
  5. Perda de Tempo:Uma grande parte do tempo da pessoa é gasta na procura e obtenção da substância, na seu uso e na recuperação dos efeitos dela.
  6. Negligência às Atividades Importantes: O repertório de interações do usuário, como ocupacionais, atividades sociais ou de lazer se encontra muito limitada a somente atividades que envolva o uso da droga.
  7. Persistência Em Usar Mais: Mesmo que a pessoa se mostre bem consciente dos problemas gerados, mantidos e/ou causados pela substância, sejam psicológicos ou físicos, o seu uso não é interrompido.

Entendendo um pouco melhor sobre isso, você poderá ajudar melhor seu familiar ou amigo que se encontra nessa situação.

 

 

Colaboradores que apoiam o combate as DROGAS!


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01/maio/2017

 Transtorno Psicótico
É um conjunto de fenômenos psicóticos que ocorrem durante ou imediatamente após o uso de substâncias psicoativas e que são caracterizadas por alucinações, ilusões, delírios e/ou idéias de referência, transtornos psicomotores e afeto anormal. O transtorno tipicamente se resolve, pelo menos, parcialmente, dentro de 1 mês e completamente dentro de 6 meses e, é influenciado pelo tipo de substância envolvida e pela personalidade do usuário. Há que considerar sempre a possibilidade de um outro transtorno mental estar sendo agravado ou preciptado pelo uso de substância psicoativa; ex. esquizofrenia, transtorno afetivo, transtorno de personalidade de tipo paranóide ou esquizóide.
Delirium Tremens

É um estado toxicoconfusional breve, mas ocasionalmente com risco de vida, que se acompanha de perturbações somáticas. É usualmente uma consequência de uma abstinência absoluta ou relativa do álcool, em usuários gravemente dependentes com uma longa história de uso. Os sintomas prodrômicos incluem insônia, tremores e medo, podendo haver convulsões. A clássica tríade de sintomas inclui obnubilação da consciência e confusão, alucinações e ilusões vívidas de todo o sensório e tremor marcante, (delírios, agitação, inversão do cilco do sono e hiperatividade autonômica, estão usualmente presentes).

 

 Estado de Abstinência 

 É um conjunto de sintomas, de agrupamentos e gravidade variáveis, ocorrendo  na ausência relativa ou absoluta de uma substância, após seu uso repetido,  prolongado e com altas doses. A abstinência pode ser complicada por  convulsões e delirium.

 

Abuso de Substância

O abuso de substâncias (álcool e maconha) é um problema comum em pacientes esquizofrênicos, atingindo até 60% destes; piorando com o progredir da doença a interferindo com a aderência do paciente ao tratamento. Uma hipótese importante para explicar comorbidade é que o abuso de substâncias poderia causar ou precipitar a esquizofrenia indivíduos vulneráveis.
Relação temporal entre o início da esquizofrenia e o abuso das substâncias:
27,5% dos pacientes tiveram problemas com drogas mais de um ano antes dos primeiros sintomas da esquizofrenia;
34,6% esquizofrenia e o abuso de substâncias começaram simultaneamente;
37,9% o abuso de substâncias começou após o primeiro sintoma da esquizofrenia.

 

Gestação

O uso de drogas durante a gravidez tem as seguintes implicações tanto para a mãe como para o feto em desenvolvimento:

A saúde da gestante

As mulheres grávidas com transtorno decorrente do uso de droga apresentam risco elevado para doenças sexualmente transmitidas (como infecção pelo HIV), hepatite, anemia, tuberculose, hipertensão e pré-eclâmpsia.

O curso da gestação

As mulheres grávidas com transtorno decorrente do uso de droga (dependendo do tipo) podem apresentar maior risco para abortos espontâneos, pré-eclâmpsia, placenta prévia e trabalho de parto precoce ou prolongado, além de complicações de outras condições clínicas que podem ser relacionadas ao uso de drogas (como hipertensão em dependentes de cocaína).

 

Desenvolvimento fetal

Algumas drogas, incluindo os opióides, cocaína e álcool, atravessam a placenta e afetam diretamente o feto. Isso pode ocorrer em qualquer estágio do desenvolvimento, mas é particularmente provável durante o terceiro trimestre, quando o fluxo sangüíneo materno fetal e as taxas de transporte placentário estão aumentadas. A placenta pode deslocar antes, um dos vários fatores causadores do número crescente de partos prematuros.
O feto pode apresentar risco mais elevado que a média para defeitos congênitos, problemas cardiovasculares, comprometimento do desenvolvimento e crescimento, prematuridade, peso baixo ao nascimento e óbito.
Após o parto, o neonato pode apresentar abstinência da droga. que pode ser de difícil reconhecimento, particularmente se o pediatra não conhece o diagnóstico da mãe.

Desenvolvimento da criança

Algumas substâncias (como o álcool) são associadas com efeitos negativos a longo prazo sobre o desenvolvimento físico e cognitivo.

 

Comportamento como pais

 Além do tratamento para o transtorno decorrente do uso de drogas, as mães com esse  distúrbio necessitam freqüentemente de educação e treinamento para exercer a  maternidade, serviços sociais, aconselhamento nutricional, assistência na obtenção de  privilégios de saúde e benefícios e outras intervenções que objetivem reduzir a  possibilidade de maltratar ou negligenciar a criança.
 (Fonte – NeuroPsicoNews – Sociedade Brasileira de Informações de Patologias Médicas  1999 – nº 13)

 

Overdose 

Os traficantes da cadeia intermediária costumam dividir a droga pura mesclando-a com outras substâncias para aumentar o volume, diminuindo o seu grau de pureza. Um viciado que tem o mesmo fornecedor costuma injetar as mesmas quantidades de acordo com o potencial já conhecido; ocorrendo a troca do fornecedor, a nova partida poderá conter um grau de pureza consideravelmente superior ao esperado e para o qual o organismo não estava acostumado, ocorrendo aí a chamada overdose.

 

 

Colaboradores que apoiam o combate as DROGAS!


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01/maio/2017


Maria Júlia Marques Do UOL, em São Paulo

Você sabia que seu cabelo pode contar se você consumiu maconha nos últimos meses? Pois é, se o fio for comprido o suficiente dá para descobrir até se você fumou a droga no ano passado.

Raspou o cabelo? Sem problemas, as unhas, pelos e até o tártaro no seu dente guardam indícios que podem confirmar o uso. A droga sai do organismo com o tempo, mas alguns resquícios ficam no corpo e exames podem encontrá-los.

“Fatores como a quantidade, o grau de pureza e o teor ativo da droga influenciam os exames, tanto quanto o peso, a gordura e as atividades hepática e renal, que aceleram a eliminação. Mas sempre há como saber se houve uso ou não”, afirma Fábio Alonso, farmacêutico toxicologista e diretor do laboratório Contraprova, no Rio de Janeiro.

Os testes buscam pelo THC, princípio ativo da maconha, e pelo THC-COOH, que é o composto metabolizado, que prova que a substância foi realmente ingerida, passou pelo fígado e se transformou. Isso evita que alguém que esteve em uma festa onde pessoas fumaram maconha, mas não fez uso, seja erroneamente apontada como usuário.

Abra a boca, por favor

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Com a saliva é possível detectar se houve uso de maconha nas últimas horas e no máximo no dia anterior. “O teste é usado quando precisamos saber se naquele instante a pessoa está influenciada pela droga”, explica Maristela Andraus, diretora do ChromaTox laboratórios, em São Paulo.

O exame é confiável e lembra um teste de gravidez: uma fita é molhada na saliva e, dependendo da cor que aparece,  é possível saber se houve consumo ou não. “Depois desta triagem, confirmamos o resultado no laboratório com equipamentos mais potentes”, diz Andraus.

O teste é aplicado em momentos decisivos, como após um acidente de carro ou antes de um piloto que parece drogado pilotar um avião. E não adianta escovar os dentes ou passar enxaguante bucal, a substância psicoativa continuará na saliva.

Fez exercícios? O suor vira prova

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O suor também contém substâncias que entregam o uso de maconha. “O teste determina o uso em curtíssimo prazo, se for feito em até 12 horas depois”, afirma Alonso. Ele explica que o exame tem pouca aplicabilidade, já que o suor é difícil de coletar e que no Brasil ainda não existem laboratórios que analisem essa matriz.

A droga aparece no xixi

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Andraus diz que na urina é possível detectar o consumo até três dias depois do consumo, em média. O exame é bastante eficaz e preciso e é bem avaliado pelos laboratórios por ser um método não invasivo que garante uma grande quantidade de amostrar e que pode ser congelado e conservado.

Obviamente, também está no sangue

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O exame de sangue detecta a maconha na janela de até 15 dias, segundo Alonso. O exame é confiável e pode ser requisitado depois de um teste rápido, como o de saliva.

O farmacêutico afirma que o THC, princípio ativo da maconha, tem afinidade pelo tecido adiposo e a gordura vira um “depósito”. Com o tempo, o THC se desprende e é liberado na corrente sanguínea. “É muito comum quando testamos pacientes em reabilitação que a pessoa dê positivo por até 20 dias, mesmo sem ter usado recentemente. É o corpo eliminando a substância”, diz Alonso.

O cabelo é uma linha do tempo

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Quando a maconha entra no seu corpo ela fica na corrente sanguínea e ao passar pela raiz do cabelo deixa ali depositado o THC. Conforme o fio cresce, ele leva consigo pedacinhos da substância. “Depois de uns cinco dias de ter fumado, a maconha começa a aparecer no cabelo. Avaliamos que cada um centímetro do fio equivale a um mês de vida e conseguimos saber como foi consumo no período”, diz Andraus.

O último mês é o mais próximo do couro cabeludo e se o cabelo for longo é possível analisar anos. Quanto maior a concentração de THC, mais constante era o uso. Passar shampoo não muda nada, pois as substâncias estão dentro do cabelo e não na superfície. “O que pode afetar, mas não é certo, é clarear o cabelo, pois o procedimento mexe na estrutura do cabelo”.

Se o cabelo tiver menos de um centímetro ou se tiver passado a máquina zero, os laboratórios testam em pelos, que funcionam da mesma forma.

Unhas? Dente? Tártaro? 

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Já deu para perceber que ao fumar maconha a substância não deixa o corpo tão fácil assim, mas não paramos por ai. As unhas também armazenam o THC, já que são tecidos queratinizados como os cabelos. Se a pessoa não cortar as unhas, como o Zé do Caixão, todo o histórico de uso de maconha pode ser descoberto na unha.

“Existem muitos métodos novos sendo estudados. Confirmar o uso pelo dente ainda é novidade. Mas fui em um congresso recentemente onde provavam o uso de maconha ao analisar o tártaro, uma vez que ele fica embebido na saliva e fica impregnando pelo THC”, diz Andraus.

 

UOL Notícias

 

 

Colaboradores que apoiam o combate as DROGAS!


01/maio/2017

Documento sem título

Cinco vezes mais cara do que o crack, a substância em pó é consumida em cachimbos pelos usuários em hotéis da região central de São Paulo

SÃO PAULO – A heroína chegou ao fluxo da Cracolândia, na Luz, região central de São Paulo. A Polícia Civil investiga um grupo de nigerianos e tanzanianos que está trazendo a substância do oeste da África e a comercializando em pequenas quantidades, que custam R$ 50 – cinco vezes mais cara que a pedra de crack.


Heroína chega à Cracolândia a R$ 50; droga é trazida de países africanos
Foto: Werther Santana/Estadão
Rota. Produzida na Ásia, droga passa pelo oeste da África antes de chegar à Cracolândia

Se antes a droga, um opióide extraído da papoula, aparecia apenas de maneira esporádica, agora basta ir ao local para encontrá-la, ainda que comercializada por poucos traficantes. A heroína disponível na Cracolândia é vendida em pequenos sacos, em pó, e é consumida em cachimbos, assim como o crack. O efeito entorpecente é mais fraco do que quando a substância é injetada, mas há maior risco de overdose.

Os principais usuários da droga não são brasileiros, mas outros africanos que moram na região central de São Paulo, principalmente nigerianos e tanzanianos. O consumo não é generalizado e não é comum encontrar usuários nas ruas, ainda dominada pelo crack.

Estado ouviu agentes de saúde que atuam no local e psiquiatras que confirmaram a presença constante da droga por meio dos relatos de usuários. De acordo com eles, a substância circula há pelo menos dez meses, mas em pequena quantidade. “Eles comercializam à noite e vem até gente de fora para comprar” diz um agente de saúde que atua no local.

A reportagem circulou pelo fluxo com auxílio do agente, que apontou parte dos locais onde há o consumo, mas não foi possível ver nenhum usuário ou traficante que tivesse a substância. “Não é todo mundo que vende, é mais raro que as outras drogas. Para achar usuário, tem que olhar nas barracas”, diz.

Ao menos três dependentes químicos disseram que a droga está circulando, mas negaram consumi-la. “É coisa de gringo, custa caro”, disse um deles. Um dos rapazes ofereceu heroína à reportagem, “que tem efeito que demora mais para acabar”, mas afirmou que precisaria pedir a outra pessoa. Também exigia pagamento antecipado.

Crime. Agentes do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) tentam identificar o grupo de traficantes nigerianos e tanzanianos e a quantidade de droga que circula na região, mas há dificuldades. 

O delegado de polícia Ruy Ferraz Fontes, diretor do Denarc, diz que a droga não fica armazenada no local, como as pedras de crack, que são facilmente vistas em pratos no meio do fluxo. “Eles têm intermediários que são procurados por quem consome e aí vão buscar a droga em outro lugar. E esses intermediários mudam, não são os mesmos”, explica o delegado. “Ainda é um uso bem restrito. O forte da região é o crack, até porque a população dali não tem dinheiro para comprar a heroína, que é mais cara”, explicou. 

A única apreensão de heroína na Cracolândia foi feita em março do ano passado. Dois policiais atendiam a uma ocorrência de suspeita de tráfico de drogas por tanzanianos em um apartamento na Rua General Osório. Quando chegaram na porta do edifício, viram que um homem entrou no local, ficou por cerca de 15 minutos e desceu. Ao abordá-lo, verificaram que tinha uma porção do que mais tarde se confirmou, pela perícia, ser heroína. O homem disse que era usuário e havia comprado a substância de uma dupla de africanos que morava no prédio. Todos foram detidos e o usuário, liberado depois.

Embora os homens não tenham dado informações à polícia sobre a origem da droga – ela é produzida na Ásia, passa pela África e vem para o Brasil –, a suspeita é que pertenciam a nigerianos. Para Fontes, os africanos podem ter feito um acordo com o PCC, que domina o tráfico no local. “Sem autorização eles não conseguiriam vender nada.” Fontes disse que o grupo atuaria na Cracolândia há mais tempo do que foi detectado pelos agentes de saúde. Segundo o ele, o bando está lá há pelo menos um ano e três meses. 

Apesar das incursões feitas no fluxo, com câmeras escondidas, a heroína não é vista na ‘feirinha” de rua. “Sabemos que há uma rotatividade, mas em pequena quantidade”, diz Fontes.

Consumo. O psiquiatra e coordenador do programa Recomeço do governo estadual, Ronaldo Laranjeira, disse que o núcleo que atua no local, o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), tem relatos do uso da heroína, principalmente da população africana, mas ainda não se sabe a dimensão do consumo. “Não temos um diagnóstico claro da rede ou da extensão do problema”, diz. 

Ele diz que, embora o núcleo tenha medicação para tratar da abstinência da droga, não há evidências, por enquanto, de que a substância vá se espalhar. “Por que o ecstasy não é mais consumido que o crack, por exemplo? Porque o crack custa R$ 10 e o ecstasy, R$ 50. Essas drogas (heroína e ecstasy) têm um ciclo mais restrito”.

Embora a droga não tenha se espalhado, especialistas apontam para o risco de a substância, com altas chances de overdose, ganhar mais adeptos, por causa do ambiente favorável ao consumo. “Um dos fatores de risco para o consumo de drogas é o ambiente. Essa população da Cracolândia está exposta à heroína. Não estão consumindo, mas podem consumir. Não é nem pelo prazer, mas pelo comportamento de experimentação, pela curiosidade”, diz a pesquisadora do Instituto de Políticas sobre Drogas (Inpad) e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ana Cecília Marques. 

Ela explica ainda que a substância fumada, com efeito mais fraco que a injetada, pode ter consequências ainda mais graves. “Tão rapidamente quanto outras drogas fumadas, ela chega no cérebro e já faz sua ação de droga depressora. A heroína mata mais do que cocaína.” 

O diretor médico do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da USP, Anthony Wong, diz que a existência de uma comunidade de usuários de heroína, ainda que pequena, é um risco que deve ser combatido assim como o crack. “Há 20 anos ninguém sabia o que era o crack. E já se dizia: se esse negócio ficar sem controle, vai ser a maior tragédia que o Brasil verá. Hoje o crack é um dos maiores problemas de saúde pública. E com a heroína, uma das drogas que causam dependência mais rapidamente, não deve ser diferente.” Wong afirma ainda que, se a substância for injetada, aumentam os riscos de doenças transmitidas com agulhas.

Mapa

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Dados. O relatório mundial sobre drogas da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2016 aponta que os opiáceos (ópio, heroína e morfina) têm cerca de 17 milhões de usuários pelo mundo.

O número global de usuários, segundo o estudo, mudou pouco nos últimos anos, afetando 0,4% da população global de 15 a 64 anos em 2014. A concentração do uso, segundo a ONU, acontece na seguinte ordem: Ásia oriental, Ásia central, Europa e América do Norte. 

Mesmo com uma queda de 38% na produção de ópio, o órgão vê baixa possibilidade de redução no consumo. O relatório destaca que houve um aumento do uso de heroína na América do Norte na última década, o que explica o aumento no número de overdoses pela droga.

Já na Europa, o consumo vem caindo. O Brasil não é citado no capítulo que fala sobre a droga – o destaque do País é em cocaína.

O Irã registrou a maior quantidade de opiáceos apreendidos, respondendo por 75% da apreensão mundial em 2014. De toda a morfina apreendida no mundo, 61% vieram do país, além de 17% de toda a heroína. A Turquia aparece no relatório em segundo lugar nas apreensões de heroína, seguida pela China, Estados Unidos, Afeganistão e Rússia. 

 

 

Colaboradores que apoiam o combate as DROGAS!


01/maio/2017

Documento sem título

Com o crescimento da “cultura da maconha”, muitos acreditam que a droga oferece poucos riscos. Será?

Por: Ronaldo Laranjeira

 

Nos últimos anos, o movimento para legalização da maconha cresceu de forma considerável. Nos Estados Unidos, país que tem se destacado pela liberação de uso da droga para fins medicinais, metade dos estados já permite o uso da maconha medicinal, quatro deles também para uso recreativo, apesar de a lei federal proibir a droga. As justificativas são muitas — a queda de violência está entre elas –, mas o principal argumento utilizado em terras americanas é que a maconha ajuda a tratar diversas doenças. Com isso, está sendo criada mais uma indústria bilionária no país, que pode ultrapassar a marca dos onze dígitos por volta de 2020, segundo estimativas.
Como? Com a oferta dos mais variados produtos. Atualmente, os estados de Washington, Oregon e Colorado representam os maiores mercados de maconha recreativa nos Estados Unidos. Nesses locais, podem-se encontrar produtos como balas, chocolates e até biscoitos com a droga entre seus ingredientes. Mesmo nos estados em que sua comercialização é autorizada apenas para fins medicinais, como a Califórnia, produtos como vinho com Cannabis sativa em sua composição já são vendidos em farmácias.

Apesar desse recente movimento de liberação do consumo, o Drug Enforcement Administration (DEA), agência americana responsável pelo controle e combate de drogas, decidiu em agosto manter a maconha em uma lista de entorpecentes extremamente perigosos, flexibilizando apenas a legislação voltada para cultivo e pesquisa com propósitos científicos.
Na ocasião, o diretor do DEA, Chuck Rosenberg, divulgou um comunicado no qual afirmava que “não existe evidência de que haja consenso entre os especialistas qualificados de que a maconha é segura e efetiva para o uso na hora de tratar uma doença específica e reconhecida”. Rosenberg disse ainda: “Artigos recentes mostram de uma forma inquestionável que o consumo de maconha aumenta em muito o risco de os jovens desenvolverem doenças mentais. Do meu ponto de vista, essa geração que consome maiores quantidades de maconha do que a geração anterior pagará um alto preço em termos de aumento de quadros psiquiátricos”.
Afinal, a maconha é terapêutica ou prejudicial?

É importante pontuar uma questão: existe uma diferença entre fumar maconha e usar uma substância presente em sua composição para fins medicinais. Um exemplo disso é o canabidiol, componente da droga que pode ter um efeito terapêutico em doenças degenerativas ou para coibir convulsões. A comunidade médica é favorável sim ao uso terapêutico de substâncias como essa, o que é muito diferente de simplesmente apoiar o ato de fumar maconha, que contém centenas de outras substâncias, muitas nocivas ao organismo. Para se ter uma ideia, na década de 60, a concentração de tetraidrocanabinol (THC), responsável pelos efeitos provocados pela droga no organismo, era de 0,5% em média. Atualmente, esses níveis podem chegar até 30%, potencializando os efeitos nocivos da maconha ao organismo.
Diversos estudos demonstram que o THC afeta os sistemas vascular e nervoso central, alterando o funcionamento normal do cérebro e provocando diversas reações. Um estudo conduzido durante vinte anos pelo pesquisador Wayne Denis Hall, conselheiro da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicou que a droga se caracteriza por ser viciante (um em cada dez adolescentes que fumam maconha frequentemente se torna dependente), pelo comprometimento intelectual em usuários regulares (prejudicando atividades como estudos ou trabalho) e por dobrar o risco de desenvolvimento de doenças psíquicas, como esquizofrenia e síndrome amotivacional, uma doença muito similar à depressão, que provoca falta de motivação para realizar tarefas.

É seguro afirmar que existe hoje uma “cultura da maconha” sendo promovida, principalmente pela internet, apoiada por grandes investidores no mundo inteiro, que usam como base a maconha medicinal na tentativa de diminuir a percepção de risco associada ao uso da droga e, assim, obter grandes lucros, ao custo da saúde de milhões de pessoas. Apenas no Brasil, o II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas estima que existam mais de 3 milhões de usuários de maconha. No mundo, a OMS estima que esse número ultrapasse a casa dos 181 milhões. A pergunta que fica ao analisar a questão é: vale a pena romantizar, promover a “cultura da maconha”, sendo que já temos o exemplo álcool e do tabaco, drogas legalizadas apesar dos malefícios à saúde? Devemos esquecer tudo que aprendemos, estudando essas psicoativas?
A psiquiatra e neurocientista Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos Estados Unidos, costuma fazer uma análise muito interessante nesse sentido, que compartilho: muitas pessoas, durante sua adolescência, conseguem tomar bebidas alcoólicas e fumar cigarros, porque o acesso a esses produtos é relativamente simples. Quando adultas e tendo sofrido tal influência, essas mesmas pessoas se tornam propensas a utilizar drogas mais pesadas. Baseada em pesquisas e em sua experiência, a leitura de Nora é de que a exposição aos efeitos do cigarro e bebidas alcoólicas na juventude pode fazer com que as pessoas fiquem mais expostas a outras drogas e suas consequências à saúde.
Com tudo isso em mente, no final o mal pode até parecer sutil, mas nem de longe é.

 

 

Colaboradores que apoiam o combate as DROGAS!

 

 

 

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Criado por Juliano Caserta