Codependência

Entenda o que é a codependência, como identificar e quais os tratamentos para essa condição mental. 

Codependência, embora ainda seja um termo pouco utilizado fora da área da saúde, é uma condição emocional bastante comum.

É considerada codependente a pessoa que não consegue se desligar de outro indivíduo, normalmente um familiar ou companheiro conjugal.

Sendo assim, hoje vamos falar sobre os tipos de codependência, suas características, tratamentos e outras informações relevantes. 

O que é codependência?

 

Como o nome já indica, a codependência é uma espécie de transtorno que torna uma pessoa dependente de alguém. Ou seja, afeta seus comportamentos e sua personalidade em função de um algo externo.

Para explicarmos melhor o que é a codependência, precisamos voltar algumas décadas.

De onde vem o termo ?

 A expressão surgiu por volta do final da década de 60, nos Estados Unidos, a partir da criação de grupos de apoio para familiares de dependentes químicos.

Mulheres, filhos e familiares de adictos em recuperação perceberam que também sofriam problemas relacionados à dependência química. Além disso, essas pessoas muitas vezes acabavam prejudicando o tratamento nas Clínicas de Recuperação desses pacientes.

Investigando um pouco sobre os motivos, profissionais da saúde mental perceberam que o que fazia com que pessoas próximas dificultassem o bom andamento dessa recuperação era justamente a codependência.

Portanto, a codependência normalmente vem da necessidade de “salvar” o outro de algum vício (seja ele físico, químico ou psicológico).

Em geral, codependentes são pessoas fortemente ligadas a indivíduos com alguma dependência. Por isso, acabam provocando muito sofrimento a si mesmas.

Além disso, é importante frisar que codependência e dependência emocional não são a mesma coisa.

Diferença entre dependência emocional e codependência

Ambas surgem da necessidade de ser amado ou aceito.
Entenda a diferença:

Diferença entre dependência emocional e codependência

Ambas surgem da necessidade de ser amado ou aceito.
Entenda a diferença:

  • codependênciaacontece, de certo modo, quando um indivíduo vive em função da dependência do outro em relação a si. Isto é, uma pessoa que se sente amada e “útil” quando o outro depende minimamente dela.
  • dependência emocionalé algo bem diferente: acontece quando alguém só se sente feliz, confiante e completo quando é aceito pelo outro. De certo modo, depender emocionalmente de uma pessoa é depositar nela as expectativas do que não se tem.

Sendo assim, em uma relação na qual existe um codependente pode haver dependência emocional também.

Quais os sintomas e as causas?

Pode soar estranho, mas a codependência não possui causas específicas. No entanto, o que alguns especialistas observam é que relações toxicas podem desenvolver essa condição.

Quais os sintomas e as causas?

Pode soar estranho, mas a codependência não possui causas específicas. No entanto, o que alguns especialistas observam é que relações toxicas podem desenvolver essa condição.

Conheça os sintomas:

 

Embora existam diferentes tipos dessa condição mental, as pessoas que são codependentes costumam apresentar os mesmos sintomas ou padrões comportamentais.

Confira:

  • Baixa autoestima;
  • Foco apenas no outro;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Medo de ser abandonado;
  • Necessidade de controlar o comportamento do outro;
  • Sentimento de incapacidade;
  • Sensação de esgotamento emocional;
  • Priorizar somente o outro;

A codependência pode estar associada à relação com adictos (codependência química) e outras relações disfuncionais. 

Codependência química

É quando alguém vive a dependência química do outro, deixando sua vida de lado. De certo modo, a “droga” do codependente é o seu próprio objeto de codependência.

Além disso, é criada uma ilusão de que o adicto depende dessa pessoa para ficar bem.

Codependência afetiva

Está bastante atrelada à dependência emocional.

A codependência afetiva acontece quando uma pessoa cria uma ligação patológica em um relacionamento. Portanto, a ideia do término dessa relação pode adoecer (ainda mais) o codependente.

Nesse caso, o medo de ser abandonado prevalece. Além disso, o codependente vive em função dos objetivos do outro — anulando suas vontades em função de outra pessoa.

Codependência familiar

Pode estar relacionada à codependência química e afetiva.

Sendo assim, acontece quando existe um sentimento de responsabilidade ou de culpa pelas decisões da vida do outro.

Por exemplo: uma esposa que se culpa pela dependência química do marido.

Fases da Codependência

Todas as fases abaixo são características da doença: a codependência.

Até parece que fazemos isso por amor, mas não é. A codependência é um amor doente, prejudicial tanto a quem ama, como a quem recebe esse amor.

Fique atento a essas fases e se você se identificou com alguma delas, procure ajuda urgente.

NEGAÇÃO

Nesta fase, primeiramente negamos o problema, ou seja, achamos que o uso de drogas do nosso filho é “coisa de criança” e logo vai passar. Pensamos que o problema está nos amigos do nosso marido, e não nele mesmo. Minimizamos os problemas, na tentativa de digeri-los melhor. Achamos que a recaída dele foi a última, mesmo sem ele dar sinais de recuperação. Nos enganamos. Fechamos os olhos para a realidade.

FACILITAÇÃO

Em um outro extremo, passamos a ser facilitadores do uso de drogas do nosso familiar. Damos dinheiro. Repomos os objetos trocados por drogas. Pagamos contas de traficantes. Já vi familiares que até compram a droga para o adicto, por considerarem a “boca” um lugar muito perigoso para o seu ente querido. Aceitamos o uso de drogas, por vezes até mesmo dentro de casa.

EXAUSTÃO

Quando nos mantemos nas fases acima, acabamos chegando à fase da exaustão. Onde o cansaço e a desesperança são tão grandes que desistimos de nós mesmos e do nosso familiar. Nos entregamos à dor. Não acreditamos mais em nada. Desistimos da vida.

ACEITAÇÃO

No que consiste essa fase? Aceitamos que o nosso familiar tem uma doença, e que não somos culpados disso. Então oferecemos a ele ajuda, direcionando-o a um tratamento, afinal, quem está doente precisa se tratar, e não temos em nossas mãos a cura para o nosso amado adicto. Apesar da dor, entendemos o que é a doença da dependência química, ao mesmo tempo em que entendemos que a recuperação do outro depende exclusivamente do seu querer.

Deixamos de ser facilitadores, escravos, vítimas ou heróis do nosso familiar. Voltamos a ter vida própria. A paz e a alegria voltam para o nosso coração. Somos assertivos.

Deixamos claros os nossos limites e não os ultrapassamos. Vivemos focados em nossa própria vida. Carregamos o nosso familiar adicto no coração e não mais nos ombros.

Somos humanos, e temos sentimentos, limitações e reações. Por isso, não se culpe se não estiver ainda na fase que gostaria. Apenas busque ajuda, sozinho é muito difícil!

Anonimo

Existe tratamento ?

Sim, a codependência pode (e deve) ser tratada. Afinal, ninguém precisa enfrentar esse problema sozinho.

O primeiro passo para livrar-se dela é admitir sua impotência. Pode parecer banal para algumas pessoas, mas sabemos como reconhecer que está enfrentando esse problema não é fácil.

Sendo assim, procure pela psicoterapia ao reconhecer que precisa de ajuda: ela é a ferramenta mais indicada nesse caso.

Além disso, existem grupos de ajuda (anônimos) para codependentes.

Assim como os programas Narcóticos e Alcoólicos Anônimos, que contribuem na luta de adictos contra as drogas, existem irmandades que se reúnem para compartilhar seus problemas de codependência.

Confira alguns grupos:

• Al-Anon

Associação que acolhe familiares e amigos de pessoas com dependência no álcool (os alcoólicos).

• Nar-Anon

Funciona da mesma maneira que o Al-Anon, porém atende codependentes de adictos de todas as substâncias químicas.

• CoDa

O programa Codependentes Anônimos do Brasil acolhe codependentes de qualquer origem.

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