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Ex-usuário de crack, conta como superou dependência química

Há cinco anos, Luís Fernando, de 41 anos, conseguiu deixar de ser um dependente químico e hoje trabalha como consultor de Negócio e integra projeto religioso que ajuda pessoas que passam pelo problema que ele sentiu na pele e na mente.

Luís Fernando passou pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps), onde fez tratamento e pôde conquistar a reinserção social. No ano de 2019, o Centro realizou 17 ações de resgate, no Mercado Central, Praça Deodoro, João Paulo, Cohab, Praça Nauro Machado (Reviver) e Praça Benedito Leite, em São Luís.

Luis Fernando é ex dependente químico

O consultor está livre do vício há mais tempo. Tudo começou quando tinha apenas 16 anos. Na época, experimentou álcool e, com o passar do tempo, substâncias cada vez mais pesadas, como forma de tentar se sentir dentro de um grupo. “Comecei a usar cigarro e foi quando eu conheci a maconha. Falavam ‘ah é legal, todo mundo usa’. Para não ser excluído daquela turma, eu comecei a usar”, conta ao G1.

De acordo com o psiquiatra Ruy Palhano, a dependência química é uma doença mental grave. “A vida da pessoa gira em torno daquela substância. A forma de pensar é imposta pela doença, são pessoas presas. Não são livres”, esclarece.

“O viciado pensa ‘eu uso por diversão, mas na hora que eu quiser parar, eu paro’”. No entanto, o momento de parar, às vezes, demora chegar ou só chega com uma fatalidade. Luís Fernando disse que após seis anos usando crack, não conseguia mais trabalhar e não tinha mais convívio social. “Comecei a dar desculpas no meu trabalho: ‘tô’ doente, na minha família morreu um parente”, relembra.
Segundo Palhano, a dependência química é um processo muito complexo, que não envolve, tão somente, o uso da substância. Deve-se levar em conta a faixa etária, a frequência, além capacidade da droga de gerar dependência e outros fatores. “É uma dependência real, não é uma dependência psicológica. Querer é uma possibilidade sadia da mente da gente. Essa é a liberdade que ‘tá’ funcionando na nossa cabeça. O dependente não tem opção, escolha, vontade. Ele fica compelido a fazer o uso de drogas, ele perde o discernimento das coisas. É a compulsão que rege”, explica.

usario de crack

“Algumas pessoas até querem mudar, mas precisam de força. Nós que estamos de fora precisamos incentivá-la a mudar”, diz o ex-dependente químico.

Atendimento na rede pública
“Hoje, eu sou um vitorioso. O viciado pensa que só ele sofre. Quando ele tá sofrendo, ele vai se refugiar nas drogas e a família vai se refugiar aonde?”, questiona Luís Fernando.

Após 20 anos como dependente químico, Luís Fernando, que passou por quatro clínicas particulares, descobriu o Caps, que é uma unidade de saúde financiada pelo governo federal com apoio e financiamento do governo estadual.

“Qualquer pessoa pode buscar o Caps sem precisar encaminhamento. Também recebemos pacientes encaminhados de unidades de saúde, do Ministério Público, Tribunal de Justiça, da Seap e outros”, explica o diretor do Caps, Marcelo Costa.

Ele esclarece que o tratamento ocorre em três etapas, sendo a última a mais difícil. “A primeira é vencer a abstinência, é a etapa onde ele aceita o tratamento. Precisa vencer os pensamentos relacionados à droga, a ansiedade e, às vezes, a depressão causada pela ausência da substância. A segunda etapa é onde ele se mantém sem recaídas. A terceira consiste na reinserção social”, diz o diretor.

FONTE : G1

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