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Casos de alcoolismo dobram em decorrência da pandemia

No Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, assinalado neste sábado (20) no calendário, há mais motivos de preocupação que de celebração por parte da sociedade. No Ambulatório de Substâncias Psicoativas (Aspa) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o número de casos novos por semana dobrou durante a pandemia. De dois pacientes atendidos no período, o número passou para quatro. A médica Renata Azevedo, chefe do departamento de Psiquiatria da Unicamp e coordenadora do Aspa, enfatiza que a maioria desses novos pacientes apresenta quadros graves de dependência química.

O aumento nos atendimentos do ambulatório começou em setembro, depois de uma queda registrada entre março e agosto do ano passado. Há mais de dez anos o Aspa atende pessoas dependentes de álcool, tabaco e drogas ilícitas. Os pacientes formam grupos para desenvolver as atividades de tratamento. Cada grupo trabalha com um tipo de enfoque. “Temos o grupo das mulheres dependentes, dos tabagistas, e das famílias dos pacientes. Em função da pandemia, as reuniões tornaram-se virtuais. Mas, alguns tiveram dificuldade com o acesso à internet. Por isso o programa passou por uma nova mudança, e se tornou híbrido”, explicou Renata.

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Com relação ao consumo de entorpecentes, a médica lembra que no início da pandemia houve uma redução. Em contrapartida, ocorreu um aumento do uso de drogas lícitas. “Durante os atendimentos percebemos que as pessoas deixaram de usar substâncias ilícitas por ficarem mais em casa. Mas em compensação, houve um aumento considerável no uso de álcool e cigarro. Quem tinha o costume de consumir bebidas alcoólicas no final do dia de trabalho, ou quem fumava poucas vezes por trabalhar em um ambiente fechado, conseguiu realizar essas atividades com mais frequência devido ao home office. Infelizmente, esse aumento se mantém”, detalhou.
Um dos fatores para o aumento do uso das drogas lícitas, conforme Renata, deve-se ao abalo psicológico provocado pelo isolamento social e as incertezas criadas pela pandemia. “Esse quadro trouxe muitos impactos no emocional de todos. Um conjunto de fatores que aumenta o risco de uso de substâncias como mecanismos de fuga. Há uma junção de reações, como o medo da doença, do desconhecido e o luto causado pela covid-19. Muitas pessoas também sentiram o impacto econômico que a pandemia trouxe, fazendo com que elas se sentissem mais aflitas e deprimidas. O sofrimento mental faz aumentar o uso de substâncias, como uma maneira de lidar com essas situações. É uma forma de se intoxicar e fugir da realidade”.

Uma questão importante em meio a tudo isso é a perda dos recursos de sociabilidade. “Encontrar os amigos e participar de grupos, tudo isso faz parte da vida das pessoas. Não poder ter essa interação causa um abalo psicológico. É mais um ponto que afeta diretamente a saúde mental”, ressaltou. Outro ponto destacado pela médica Renata foi o aumento da dependência química por parte das mulheres. “Proporcionalmente, temos recebido mais casos de mulheres com dependência química que de homens, embora estes ainda continuem respondendo pela maioria dos atendimentos”.

Padre Haroldo

No Instituto Padre Haroldo, que é referência no atendimento às pessoas com dependência química em Campinas, o início da pandemia também foi marcado por uma queda de 50% na procura dos serviços de acolhimento, entre março e junho. Juliano Santos, psicólogo coordenador do Programa de Recuperação e Tratamento, diz acreditar que muitas pessoas deixaram de comparecer presencialmente à entidade devido ao medo de infecção pela covid-19. “Acolhemos as pessoas em grupos. Quando elas chegam, ficam durante 15 dias em quarentena. Depois dessa etapa, elas seguem para a comunidade terapêutica, onde vão iniciar oficialmente o tratamento”.

Em julho de 2020 essa procura começou a aumentar progressivamente, chegando ao pico de 80%. Em janeiro de 2021, houve uma pequena queda por conta do início do ano, momento em que normalmente ocorre a diminuição na demanda. Em fevereiro, a procura voltou subir, dando sequência ao crescimento registrado nos meses anteriores.

Assim como no Aspa da Unicamp, a entidade também constatou o aumento na procura de mulheres pelo acolhimento. “Hoje, eu não tenho vagas na comunidade terapêutica feminina. Ao contrário, há uma fila de espera”, enfatizou Juliano Mas durante a pandemia, o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, onde o ambulatório está instalado, ampliou o atendimento para os pacientes da covid-19, o que fez com que as salas do ambulatório usadas fossem reduzidas, de 15 para quatro.

FONTE : JORNALNH

Sabia mais : (13) 99671-9287

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